Kupapatas disputam clientes com taxistas na periferia
O PAÍS
Viajar de Kupapata deixou de ser uma simples emergência para algo normal e rotineiro. O negócio há muito que floresceu nos municípios de Cacuaco, Viana e Kilamba Kiaxi. Agora existem pequenos focos em partes
da Samba e do Cazenga.
O nicho do negócio é liderado por antigos militares das FALA e FAPLA, que começaram esta actividade depois do fim da guerra. Para puderem sustentar os seus
familiares, optaram pelo transporte de pessoas e bens no interior dos mercados
por intermédio das motorizadas.
Os tipos de motas variam entre as de duas e as de três rodas. As últimas servem principalmente para o transporte de mercadorias. Os meios rolantes
ficam concentrados nos arredores dos mercados mais frequentados da periferia da
capital.“Cobramos 500 Kwanzas por cada frete”, disse Raimundo Cassoma, motorista de uma moto de três rodas.
Amotrang defende moto-taxistas
“A nossa associação sobrevive através das contribuições pessoais que temos feito”, disse Bento Rafael, presidente de direcção da Associação dos motoqueiros transportadores de Angola (AMOTRANG).
“Graças às outras fontes de rendimento, vamos minimizando os problemas da associação. Não somos reconhecidos”, reclamou o líder associativista.
A AMOTRANG é o órgão regulador do serviço de moto-taxi, em Angola. Funciona desde 2005. A sua direcção gaba-se de possuírem o único meio de transporte em todo o país que leva o passageiro até à porta de casa.
“O trabalho fundamenta-se em congregar todas as pessoas que exerçam a actividade de moto-táxi a nível nacional, mas temos contactos avançados com moto-taxistas na República Democrática do Congo e na Zâmbia que pretendem os nossos serviços”, disse Bento Rafael.
A associação está representada nas 18 províncias do país através de delegações provinciais e núcleos.
Estão a expandir um programa de escolas de condução em quase todo o país, para que a associação consiga a sua própria sustentabilidade financeira.
Rafael pensa que “a escola de condução será um apêndice à associação”.
“O nosso maior objectivo é terminar com a ilegalidade por parte dos mototaxistas, porque alguns exercem a
actividade sem possuírem a licença de condução”, acrescentou.
Para se ser membro da associação, é necessário ter idade superior a 18 anos de idade, possuir Bilhete de Identidade ou
outro documento que substitua este e a licença de condução, embora não seja obrigatória.
“A licença de condução não é obrigatória, porque trabalhamos no sentido de ajudar o associado a tratá-la”, garantiu Rafael Bento.
A actividade de moto-táxi no país não está legislada. A direcção da associação está em contacto permanente com o Ministério dos Transporte para se elaborar um regulamento que seja reconhecido
institucionalmente.
Os estatutos da associação exigem o pagamento de uma quota mensal de 200 Kwanzas a cada associado, mas
estes não cumprem com a disposição.